Espelho de Venus

.." Residem juntamente no meu peito um le�o que ruge e um deus que chora"

Olavo Bilac


[Marcela Melo
28 anos, jornalista, aquariana, amante das coisas boas da vida...mas quando d�! :)





It�s Me

 

04/01/2004 10:15

Adeus ano velho

Agora não tem mais jeito. Eu juro que não queria ter passado para 2004. A minha vida não anda tão bem assim, mas fui obrigada. Me lembro que quando o relógio marcava aqui no Brasil, alguns segundos para entrar 2004, minha única reação foi ajoelhar e rezar muito, pedindo a Deus que tudo fosse diferente, mesmo sabendo que minutos depois eu começaria a blasfemar contra Ele como eu sempre faço. Não deu outra. O Fernando e a Teresa estavam aqui.

E eu e mamãe. Não me lembro na vida de ter passado um ano novo muito feliz. E esse ano sinceramente eu estou ausente. Ausente de mim mesma, de tudo. Fomos tentar sair depois de meia noite e o carro não pegou. Tomei umas 5 doses de gin pura e fiquei bêbada. Claro que pertubei o resto da noite o Fernando e a Teresa com todas as minhas amarguras. Estou chata. Muito chata mesmo.
Eles aguentaram. Estou infeliz, mas eles tem carinho por mim. Não me acho merecedora de nada. É uma coisa estranha.
No dia seguinte, eu sem me dar conta que já era dia 01, fomos jantar fora com a Marianne. Dia 2, chamei o Mauricio e fomos pro Porcão e depois para outro restaurante, o que não me fez nada bem. Meus ataques de raiva voltaram e me sinto como Bilac no poema Dualismo.
Antes fomos à loja da Evelin e vi minha amiga que está linda e grávida de 6 meses. Tomamos vinho e voltamos.

No dia seguinte, acordei mal e mesmo assim fui para a psiquiatra. Conclusão: Psicoterapia juntamente com as consultas 1 vez por semana. Muita conversa e trabalhos. Meu próximo: Colocar minha vida em cima da estória de psique e cupido. Não estou com saco de fazer isso. Na verdade, as vezes me sinto como se nao quisesse acreditar em mais nada, ou como se nao quisesse melhora. Ela disse que pouco importa o nome da minha doença, mas que eu tenho que tratar a minha dor, e me proibiu de ir pra São Paulo até março. Tudo bem...vou tentar, mas nao sei se vou conseguir. Tudo dói muito e agradeço a Deus pelo amor e preocupação do Fernando comigo. Nunca pensei que isso um dia pudesse acontecer.
Sei que preciso muito descobrir minha história e onde está o problema nisso tudo, mas nao tá dando. Fico cada dia mais ausente de tudo, de mim mesma. Ouço as pessoas darem palpite em minha vida, falarem mal da minha família, do meu tratamento, mas ninguém sabe o que eu sinto na verdade.
Preciso de muita vida ou morte súbita. Não da mais pra ficar no meio termo.

enviada por Marcela






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 "As drogas que modelam a mente, os psicotr�picos, poderosos e perigosos que alteram o psiquismo, abrem falsos caminhos de felicidade, de fuga � realidade e que preciosas, em m�os t�cnicas, s�o bombas em seu uso indiscriminado, t�o desastroso como o da bomba at�mica" 

                                                                               Dr Herm�genes