.." Residem juntamente no meu peito um le�o que ruge e um deus que chora"
Olavo Bilac
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[Marcela Melo
28 anos, jornalista, aquariana, amante das coisas boas da vida...mas quando d�! :)
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It�s Me

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08/01/2004 09:38
Reflexões
Li a respeito de pessoas que extinguiram a própria vida. No caso daquelas cujos corpos não sofreram danos a ponto de deixá-los imediata e visualmente irreconhecíveis, TODAS, SEM EXCEÇÃO, estava em posição indicando CLARAMENTE que tentavam, antes de sucumbir suas forças, alguma forma de ANULAR seus atos, antes de perecerem. TODOS SE ARREPENDERAM do que fizeram, mas não tiveram chance de reparar o equívoco. Por exemplo, os corpos de pessoas que ingeriram substância letalmente venenosa foram encontrados junto ao telefone do recinto onde fora praticado o ato, tentando discar para um número de auxílio, seja de algum amigo ou parente, seja do corpo de bombeiros ou de médicos.
Como declarou em sua mensagem, você passa por crises de extrema melancolia, as quais cessam por si mesmas. Isto indica que NÃO é de seu desejo tentar dar cabo de sua vida, mas sim disfunção química de seu cérebro que faz alternar seus estados, da mesma forma que alguém alcoolizado ou entorpecido perde sua razão e seus sentidos. Lembre-se disso, nos momentos mais delicados. NÃO é seu desejo. NÃO há motivo. Trata-se meramente de química alterada.
Ontem mesmo eu pude observar isso.
Senti uma imensa vontade, uma terrível vontade de me matar. Fiquei pensando numa forma de morrer sem dor. Li sobre algumas drogas que tenho aqui em casa, que se nao forem retiradas do organismo a tempo, através de lavagem estomacal, podem mesmo matar.
Fiquei pensando se tomaria ou nao. Todos haviam saido de casa e seria a forma perfeita, já que eu nao teria a quem recorrer. Ninguém poderia me levar a um posto médico para lavagem, mas temi.
Temi porque dentro de mim existe uma vontade enorme de ter forças, de viver, de ter minha vida, ou uma vida de volta.
O que acontece hoje, que percebi muito bem, é que minha vida, tem dado voltas de 360 graus, parando sempre no mesmo lugar e lugar de meus problemas ( família e dinheiro).
Perdi meu poder, perdi minha auto estima, dentro de mim, perdi tudo.
Não consigo me olhar no espelho e ver algo agradável como era antigamente.
Sinto vontade de viver , mas nao consigo ter forças.
Desde criança sempre tive mta força para carregar os problemas de meus pais e minha familia e os meus nas costas..Hoje nao quero mais ter essa força, mas também me recuso a entregar a minha vida, na mão de um médico que seja.
Não esqueci dos medicos que vc me indicou em SP. Estão anotados. Sinto muita falta daí, mas nao é mesmo hora de voltar. Preciso resolver minha vida por aqui antes.
Renato, claramente falando, meu pai quer me dar uma associação, para que eu tome conta e todo lucro que vier, será meu. É uma coisa muito simples de se fazer e diferente de tudo que ja fiz na minha vida. Pensar no meu trabalho, em minha profissão, hoje, é como pensar em dar um tiro na cabeça. É algo que sinceramente eu nao quero mais pra mim, a não ser por hobbie, mas jamais ficar colocando toda minha energia e força numa coisa que não é valorizada pelo nosso mercado, principalmente nos dias de hoje, mesmo sabendo o quanto eu sou competente.
Com essa empresa que papai quer me dar, eu poderia, ( aqui em niterói), sair de casa e alugar um apartamento barato e bom. Ter minha independencia, fazer outra faculdade que nao tenha nada a ver com a minha profissão e partir para o mestrado, que é uma coisa que tenho lucura de fazer, assim como doutorado, para passar minha vida em pesquisas e aulas. Pensei em Administração com ênfase em Comércio exterior. Comprar de novo meu carro e nao mais dividir o que "tenho" com a minha irmã. Enfim...ter de uma forma ou outra, a minha vida ou uma outra vida de volta.
Aí em SP, por mais que as pessoas me atraiam, por mais que a cidade me atraia, principalmente o interior, eu nao tenho como começar nada. Estou literalmente sem nada agora e certamente nao terei apoio financeiro algum para voltar pra ai.
Queria sim, mas queria ter o meu espaço.
Te juro, eu nao deveria me preocupar com isso nesse momento, mas isso é o que mais me tortura mesmo nesse instante. A dúvida do que fazer. De ficar aqui com essa possibilidade que tenho ou de partir pro nada e tentar alguma coisa.
Hoje, entrarei em contato com todos os clientes que prospectei aí, e terei uma idéia do que pode ou não acontecer, mas, só mesmo um milagre, me daria condições de viver em SP .
Eu nao sou mais criança, gosto das coisas boas sim, mas nao estou pedindo muito. Só quero um lugar pra mim. Não quero morar com ninguém e ter qualquer tipo de privacidade tosada. Não sei se vc entende.
É aí que estão todos os meus problemas.
Outra coisa que preciso urgentemente fazer é cortar o cordão umbilical com a minha mãe. Se ela decidiu ter uma vida infeliz, eu nao tenho nada a ver com isso e nao devo compartilhar disso, mas teoricamente eu sei disso, somente teoricamente. Meu coração acaba agindo diferente.
São mtas coisas...muitas que nesse momento, cairam todas em cima de mim.
Hoje dicidi também voltar à minha dieta do jeito que for. Quero um corpo sadio. Eu passei por uma cirurgia para emagrecer, mas que sozinha por si só não faz milagres. Eu preciso e devo colaborar enquanto há tempo, para não jogar mais uma oportunidade no lixo.
Tenho me afastado completamente das pessoas. Exceto das que eu tenho obrigação de conviver e participam da minha vida. Até essas eu tenho tentado manter longe um pouco.
O Fernando e a Teresa daí, que estiveram aqui agora, querem de qualquer jeito que eu volte. Me fizeram mil propostas, me deram todo amor e carinho possível, e dizer agora para eles: Não, eu nao vou voltar, é algo que não sei fazer e me tortura demais.
palavras, palavras, palavras...
Nada adiantam se não forem postas em prática.
Dizem que drumont era muito pessimista. Eu nao o vejo assim. Vejo Drumont como um cara lógico, racional demais as vezes, e que nesses insights de racionalismo completo, via realmente as coisas como elas são. A vida infelizmente não é um mar de rosas.
Lembro-me da Jamison, quando escreveu uma mente inquieta, falando que nenhuma dose de amor poderia suprir a sua dor. Poderia chamá-la de pessimista, de louca, mas é a verdade. A dor é algo que não podemos tapar simplesmente. Se for uma ferida exposta, vc colocará um curativo e logo depois vc terá que tirar, e ela estará ali e só com cuidados e com o tempo ela desaparecerá.
É assim que eu vejo a minha vida. Hoje, de nada adianta eu partir e deixar mtas coisas mal resolvidas por aqui. Mas sei que posso resolve-las todas em segundos se for possível para minha mente e assim, algum dia terei paz.
Estou muito carente e sinto falta de um amor. Queria muito amar, me sentir amada, mas isso então, é algo que não tenho a mínima condição de pensar agora.
enviada por Marcela
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