.." Residem juntamente no meu peito um le�o que ruge e um deus que chora"
Olavo Bilac
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[Marcela Melo
28 anos, jornalista, aquariana, amante das coisas boas da vida...mas quando d�! :)
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It�s Me

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12/02/2004 16:26
Loucuras que só eu sei....MXR
No sábado, depois do show, enquanto conversávamos, vc me falou algo, que me tocou profundamente: O oriental quando recebe a notícia que ganhou na loto, permanece em equilíbrio, do mesmo jeito que permanece neste mesmo equilíbrio quando recebe a notícia que sua esposa faleceu. Isso é centralidade, equilíbrio, paz. Coisas que venho procurando durante toda a minha vida, mesmo sem saber ao certo o que procurava. E de repente me diagnosticam com doença bipolar de humor, ou seja, emoções exacerbadas, sem controle, tanto nas alegrias, quanto nas tristezas. Te confesso que sinto que desde o último mes, quando voltei pra aí, até esse exato momento, algo em mim mudou muito, nao sei o que exatamente, mas algo mudou. Sinto-me, pelo menos até agora mto, mto mais equilibrada. Mesmo tendo tido aquela terrível crise depressiva. Realmente a cada crise, percebo que os sintomas pioram, ou as características ficam mais agressivas em seu quadro, mas, hoje, estou tentando me manter em equilíbrio perfeito, falar pouco, não contar com ninguém, pedir sabedoria a Deus, e me manter saudável espiritualmente e fisicamente, para que emocionalmente eu não tenha pertubações. E como dito acima por vc mesmo, infelizmente ou felizmente só eu mesma tenho a chave para deixar entrar em mim o que for. Do jeito que for.
Comecei a ouvir Strauss hoje quando sentei aqui no computador e comecei a refletir algumas coisas...muitas delas, engraçado...voce falou abaixo, como o caso das formigas que passam o dia caminhando, levando seu alimento. No abrigo que os pássaros encontram nas árvores, em dias de sol e de chuva. E nunca paramos para ver nada disso. E em nada disso, nos damos conta...só nos preocupamos com coisas meramente sem valor algum. Muitas vezes, quase me esqueci de como é boa a sensação de deliciar-me com uma música linda ou chorar lendo um poema que me toque profundamente. Ou até mesmo ficar horas no chuveiro deixando a água cair no meu corpo, e depois fazer com a esponja um verdadeiro banho de espumas.
Outro dia, uma pessoa, a irmã da Teresa, me disse que gostaria de morar num prédio com terraço para poder tomar café da manhã todos os dias olhando pro céu, ao ar livre. Eu calei-me, sorri apenas pensando:- Meu Deus, há quantos séculos eu moro numa casa com jardim, piscina, cercado de montanhas verdes e céu sempre azul, límpido, e nunca, nunca sentei-me à mesa a beira da piscina para tomar um café da manhã ouvindo literalmente pássaros cantando? Farei isso amanhã se me for possível, pois em breve não terei mais isso. A vida é assim....infelizmente entramos nesse sistema e quase nunca nos damos conta disso. Vamos deixando nos levar por modismos, vidas alheias, imposições mundanas e esquecemos de nós mesmos, e do nosso eu interior. Bom que podemos conversar isso. Outrora, não tinha essa oportunidade. Ninguém, jamais pode me escutar ou ao menos tentar entender coisas que eu pensava e muitas vezes, cheguei a duvidar mesmo da minha sanidade .
Eu tenho um amigo. O Maurício. Já lhe falei algo sobre ele. É o que diz que não tem e nunca teve nenhum problema de família. Ele nao conhece e não entende essas coisas. Saíamos juntos, dançavamos, curtíamos as mesmas coisas em muitas épocas. Até hoje. Ele sempre vem me ver quando volto de SP e antes de eu ir pra la durante mto tempo ele foi a única companhia que eu tive para sair enquanto estava doente, mas, com ele, eu só podia sair se tivesse certeza dentro de mim, que eu estaria e ficaria bem durante todo o tempo. Sempre ouvi todos os problemas dele. E quando ia falar dos meus, ele engrossava e não aceitava e me chamava de fraca e isso um dia me cansou. Eu ouvi mto isso dele, e aceitei como verdade durante um bom tempo, porque eu mesma nao estava em condições de me pré julgar. Então aceitava qualquer coisa.
No final do ano, quando a Teresa e o Fernando vieram pra cá, que me pegaram naquela terrível crise, uma das vezes que saimos o Maurício veio, aliás 3 vezes durante esse tempo, o Mauricio esteve aqui em casa, somente e puramente para discutir com eles a minha fraqueza, para julgar a minha família e para pedir para que o Fernando e a Teresa não me deixassem ficar aqui, porque ele disse que aqui eu era dominada pelo meu pai e pelas neuroses da minha mãe, que segundo ele, também era dominada pelo meu pai, por ainda depender dele financeiramente depois que ela perdeu tudo que tinha. Enfim. Isso me magoou mto. Das duas partes. Tanto do Mauricio, quanto da Teresa e do Fernando. ( Aliás, isso era uma das coisas que tinha para te contar, mas não queria usar o computador dela para dizer isso). Enfim...o Maurício, foi um dos únicos que não me abandonou de sumir, mas em compensação, não soube nunca me ouvir, ou dizer a mim mesma tudo que ele pensava. Foi dizer a outras pessoas. Literalmente ele acabou pra mim. Hoje ele é mais um dos que fazem parte momentânea da minha vida. Ontem durante o dia ele me ligou em SP para dizer que estava mal. Deprimido, triste com a vida. Que queria ter nascido filho de fazendeiros, viver cuidando de gados, e ganhar mto dinheiro com isso. Dinheiro , poder, status pra ele ainda são coisas mto importantes. Ele terminou o mestrado agora, e da aulas em duas universidades a noite. Ganha mto bem e nao tem nenhuma despesa em casa. Escolhe tudo e todos e nao tem ninguém. Quando ele me disse que estava desse jeito, eu disse a ele que podia compreende-lo, que quase nunca estávamos satisfeitos com a vida que tínhamos, e que se esse era realmente o sonho dele, que ele começasse a estudar sobre o assunto, e fosse lutar por isso. Ele ficou mto feliz, mudou a voz, e disse que eu fui a única pessoa que não o chamei de louco. Fiquei pensando...por que?....
A nova Marcela precisa de muito equilíbrio e força para cumprir pra ela mesma tudo isso. Creio que estou agora na fase decisiva da minha vida, onde não pretendo deixar nada e ninguém e coisa alguma me influenciar. Sei que as coisas não serão fáceis de serem compreendidas. Infelizmente o dinheiro, essa moeda podre ainda domina nossas vidas, porque se eu o tivesse, não teria que enfrentar um batalhão de pessoas para realizar a minha vida que sei..não está aqui.
As coisas Renato, além de não estarem indo mto bem pro meu pai, ficam ainda mais complicadas pra mim, pois, ele se recusa a me dar qualquer tipo de ajuda quando estou em SP. A não ser que seja sério. Coisas como remédio, dinheiro pra voltar pra casa, essas coisas. No mais, ele alega que eu não tenho necessidade de morar com estranhos tendo minha casa, comida, conforto, seguro saúde e um " emprego" que ele quer me dar agora para que ele possa descansar um pouco e se dedicar mais àquelas atividades que lhe falei sobre ajudar pessoas com problemas de alcool e drogas. Eu entendo, e tenho como alegar que eu não tenho temperamento para lidar com o tipo de negócio dele e já que minha irmã quer casar e o namorado dela está desempregado, ele pode muito bem, colocar os dois para tocar o negócio, embora eu saiba que ele só confia em mim. Muitas vezes, o jeito que falo, parece que ele é um carrasco. Não é assim. Eu o entendo perfeitamente. Como te disse, há pouco mais de um ano é que retomamos depois de muitas, mtas, mtas conversas e coisas que eu cedi e aceitei e entendi, a vida de pai e filha que nunca tive com ele. Ele hj sente medo de perder isso e não sabe demonstrar de outra forma que não seja com certa agressividade ou tentando domínio sobre as pessoas e coisas.Minha mãe, já não opina muito. Ela é mais amorosa e sabe compreender mais as coisas e até agora a neurose maior era de minha parte por achar que ela não poderia caminhar sozinha. Isso está deletado dentro de mim. É claro que ela pode e eu não devo ceder a minha vida por causa de ninguém e não vejo isso como egoísmo. Muito pelo contrário. Minha mãe sempre foi uma mulher forte, poderosa, determinada e depois que a vida dela se desmoronou ela se transformou numa amorosa dona de casa. São dois retratos completamente inversos que tenho dela e porisso me coloquei na posição de ter que tomar conta dela, uma vez que a mulher forte se transformou numa criança indefesa. Não é assim. Ela precisa voltar a caminhar sozinha. Ela tem só 52 anos para achar que a vida terminou. Eu nao sei como fazer para enfrentar isso tudo, mas...sei que vou conseguir. Ou vou morrer tentando...rs :)
No mais, outra coisa que piorou muito a minha situação quanto a ir pra SP, entenda, o problema não é SP e sim a casa da Teresa. Meus pais simplesmente tomaram aversão a ela. Ela entrou numa desde quando fiquei doente de se sentir dona de mim e minha própria mãe e se colocar diante mesmo dos meus pais como a melhor pessoa para cuidar de mim como se eu fosse um bebê e com isso tudo, nesse fim de ano ela ofendeu demais a minha mãe e consequentemente meu pai, por tras porque ela nao falaria nada na frente dele. Tanto que quando eles souberam da entrevista que eu ia fazer aí, eles me apoiaram mto, pois sabiam que eu teria como alugar um ap pra mim , me manter independente dela. Mamae até pensou na possibilidade de se mudar pra ai comigo, caso a camila se casasse mesmo, e eu tivesse conseguido aquela vaga na click.
Eu nao resisti e no domingo eu abri o jogo pra teresa sobre tudo que eu estava pensando. Não bastando todas essas coisas, ela foi dizer para a Evelin, uma grande amiga, que está grávida, que ela cuidava melhor de mim do que a minha mãe que parecia não estar nem aí comigo, com a minha doença e com nada e que ela é que segurou todas as pontas quando eu estava mal. Durante esse tempo que estive aí, a Evelin veio aqui e comentou isso com mamae que só me perguntou: - Minha filha, o que eu fiz com essa mulher pra ela ter tanta raiva de mim? E eu por minha vez me pergunto: O que eu fiz para me meter em círculos viciosos neuróticos co-dependentes infinitos? Não entendo nada sobre essas coisas, mas sei que precisarei entender e em muito pouco tempo.
Exatamente. Sei que isso não é tão fácil quanto falar, mas não é tão difícil como um dia podíamos ter pensado que era. Falando nisso, lembrei-me agora, o nome da loja de couro é Só couro, no promocenter da vila mariana. fica em frente a uma loja que vende abajour, lampadas, coisas do gênero. Se eu achar o cartão te mando o tel. O nome do dono da loja é meu xará: Marcelo. Se comprar a calça deixe para estreiá-la, com a blusa vermelha quando sairmos de novo :) (brincadeira)!!!
Bem, eu conheço perfeitamente mesmo essa história pois foi a mesma que eu vivi, como te contei na última vez que nos vimos ( saudades) . A doença emocional do meu pai contaminou toda a nossa casa. Muita coisa veio pra cima de mim, mta mesmo. Tive nojo do meu pai, vontade de vê-lo morto mesmo, a ponto de acharem que quando eu dizia isso estava dizendo da boca pra fora e não era. Fui repugnada pela família inteira por causa da minha má convivência com meu pai. Quando ele ficou internado na clínica de recuperação, em 6 meses eu só fui 2 vezes visitá-lo por imposição da minha mãe e numa das vezes era uma reunião com familia e amigos dos internos e eu falei tudo que pensava e que não pensava dele. Só me lembro dele lá na roda de pessoas chorando como criança. Naquela época eu nao entendia que ele era impotente diante daquilo tudo e que logicamente nenhum ato foi feito de puro propósito. Doeu muito. Todas as vezes que tentava terapia, o ponto chave de conversa era meu pai. Me irritava. Uma vez cheguei a quebrar um vidro da mesa do terapeuta. Ele começou a falar em perdão e eu tive tanto ódio que me descontrolei, peguei o negócio e taquei na parede. Qualquer assunto ligado ao meu pai, eu perdia completamente o controle. Nunca disse isso a ninguém, vou contar-lhe agora. Só Deus e eu sabemos disso. Tenho ainda lembranças da minha infância: Numa das vezes que ele me levou ao parque para andar de bicicleta ele queria que eu tirasse as rodinhas da bike. Eu nunca havia levado um tombo na minha vida, nunca subi em árvores, nunca brinquei na rua. Eu tinha medo, ele tirou as rodinhas e eu nao conseguia pedalar. Fiquei tão apavorada com a reação dele que comecei a chorar e ele me chamou de pateta. Isso fez com que eu convencesse a minha mãe a arrumar durante todo meu período escolar atestados para não participar de aulas de educação física. Quando fui crescendo gordinha, ele me ofendia profundamente com isso. Por sorte, nunca tive nenhuma dificuldade de arrumar " namoradinhos" ou coisa assim, mas isso tudo só aconteceu depois dos meus 16 anos. Ele vivia colocando minha irmã que era saradona no pedestal e me levando a clinicas de emagrecimento, dietas mirabolantes e sentia que ele sentia um pouco de vergonha de andar comigo na rua. Hoje, ele só anda comigo abraçado ou de mãos dadas. Hoje só estou com pouquissimos kilos a menos do que eu tinha antes de engordar estupidamente durante aquele período que te contei, mas acho que hj, ele sabe que continuarei emagrecendo. Outro dia, ele perguntou quando eu precisaria de cirurgia plástica. Ainda me feriu. Mas é dele. Ele viveu num mundo de culto ao corpo. Corridas, malhação, futebol. Realmente ter uma filha obesa pra ele deve ter sido um caos.
Quanto ao perdão, foram eternas e infindáveis discussões com Deus como diz chico Buarque na música Sem fantasias. Eu lia sobre perdão, nao conseguia aceitar, chorava, esperneava, odiava meu pai cada vez mais, mas, sabia que precisava tirar aquele peso de dentro de mim, que tanto me magoava, me deixava rancorosa. Eu nao tinha como me aproximar dele. Comecei escrevendo cartas e mandando pro escritório dele. Ele nao comentava. E numa discussão ou outra conseguiamos acertar alguns pontos. Ele com mto sacrifício foi cedendo. Começou me chamando pra caminhar com ele na praia de manhã. Depois íamos tomar café da manha num bistrô e a mulher dele começava a conduzir alguns pontos de conversa que eram determinantes pra nós dois. Discutíamos mais um pouco e eu escrevia mais. Um dia, eu criei coragem e disse a ele: - Pai eu te perdoo por todas as coisas que vc me fez. Por toda sua falta de amor, de compreensão, de tudo. Te perdoo por todas as coisas porque hj entendo que vc nunca recebeu nada disso. Nem carinho, nem amor, nada, e nao poderia me dar. Ele respondeu dizendo que nunca deixou me faltar nada e se isso nao era amor. Eu disse a ele que não. Isso qualquer um podia fazer, agora, amor, colo, compreensão, cuidado, ser pai, só ele podia, e ele não havia feito e então completei dizendo que ainda havia tempo e que eu aceitava ter um pai aos 26 anos de idade pela primeira vez porque todo ódio que eu sentia por ele, na verdade era uma espécie de amor sufocado. Ele nao respondeu, só começou a me tratar de outra forma. A ser mais presente, a cuidar de mim como pai. Mas óbvio que ainda temos aquelas brigas comuns que nunca deixarão de existir.
Quanto a você, não se cobre mesmo nada. Mas se algum dia isso lhe passar pela cabeça, não abstraia, deixe fluir. Fará bem pra vc, mas se tiver que acontecer e no momento que tiver que acontecer e da maneira correta, como acontecerá. Vc pode não aceitar, mas entende muito bem o seu pai. Eu levei mto tempo para entender os problemas do meu pai. Simplesmente eu o julgava pelo mal que me fazia sem pensar na carga que ele carregou a vida toda de ser pobre, nao ter família, crescer na porrada, e sem apoio, sem nada. Hoje, temos mto mais acesso a várias coisas que eles não tinham naquela época. Somos mais abertos e a geração depois da nossa, mais ainda e eu vejo isso aqui em casa com o meu sobrinho. Quando eu tinha 5 anos eu nao era como ele em determinados aspectos.
Concordo plenamente que seu pai se recusa a fazer qualquer tipo de tratamento psicológico ou psiquiátrico, porque ele sabe que vai dar de cara com ele mesmo e certamente ele não está preparado pra isso e pode ser que nunca esteja. Pena ele não saber que dentro da própria casa dele existe um ser, muito ferido por ele mesmo, mas que poderia ajudá-lo completamente se eles dois se dispusessem a isso.
Seu irmão também. Muitas coisas vc conseguiu perceber que ele ainda não conseguiu e nem está em condições agora de compreender, mas ele precisa de ajuda e certamente ele conseguiu o que ele queria. Um pouco mais de atenção. Percebi muitas vezes que meus ataques, minhas bebedeiras na adolescencia, e coisas do tipo eram para agredir meu pai e minha família toda no geral, mas principalmente a ele. Nada adiantou. Só me prejudiquei, e durante mto tempo eu nao sabia que eu mesma fazia isso comigo mesma e com eles. Por favor, de modo algum estou me intrometendo em sua vida..por favor, não leve para esse lado, mas se possível, e se vc sentir vontade no coração, ame seu irmão, de amor, de colo, de-lhe a mão.; Ele precisa disso, para dar qualquer outro passo. E te juro que só estou te dizendo isso porque tenho absoluta certeza de que vc é a única pessoa capaz de fazer isso em sua casa, de outro modo calaria minha boca, mas ...agora eu é que te digo...só vc pode decidir quanto a essas coisas. Conte comigo no que precisar, se precisar, se quiser falar...
Tenho uma tia somente que se preocupa mto comigo, irmã do meu pai. Mas só falo com ela por telefone. ela é a mais próxima. A família do meu pai é enorme e a família de mamae mora no ES. Não os vejo desde que eu tinha 15 anos. A do meu pai, cortei relações instantaneamente ha mtos anos. Praticamente desde a separação oficial dos meus pais. Não sinto falta disso.
Olha, enquanto a sua familia se preocupava em te julgar um vagabundo que vive as custas do pai sem querer saber nadasobre vc e sobre o que lhe ocorreu, a minha se preocupava em dizer que eu era mimada, fresca, imatura e doente mental precisando urgentemente de um tratamento sério. Me chamavam de soberba e tudo mais do gênero que vc possa imaginar. Pode ser sim, que eu tenha passado isso pra eles o tempo todo, mas nunca ninguem teve coragem de falar isso na minha cara. Nunca ninguém perguntou: Ô mimada, quer conversar? A vida é essa mesmo. Deletei todos eles da minha vida e minha mae foi fazendo isso aos poucos. Dar de cara com a maioria deles aqui no sábado vai ser meio foda. Nunca fui a nenhum casamento das minhas primas e primos, aniversários , bodas, nada disso , porque segundo eles eu era melhor do que todos eles para estar em tais eventos. Mandei todos pra aquele lugar e tomei meu rumo. Todo esse julgamento explodiu mesmo quando perdemos tudo e ficamos literalmente na merda. Eles queriam de qualquer jeito me ver trabalhando como caixa de supermercado, como se fosse algum problema , mas seria uma forma para eles de eu me humilhar e aceitar minha situação que não aceitei durante mto tempo mesmo. Não escondo isso de ninguém. somente hj penso diferente. Para eles eu continuo não prestando. Dane-se! Sinceramente esse tipo de opinião nao me interessa. Não me acrescentará nada. Só é chato demais.
Vc sabe que vc não é um estorvo, um " vagabundo", um mimado, nada disso que te julgam ser , não sabe Renato? Por duas vezes te disse, que eu sei que vc ainda nao tem noção do que realmente vc é como pessoa, como ser humano, como único nesse universo. Eu e voce nao podemos mudar ninguém. Muito menos a maneira de pensar de ninguém, mas podemos não nos deixarmos influenciar por essas atitudes e opiniões externas, chegando mesmo a acreditar por alguns momentos que somos todas essas coisas que nos julgam ser. NÃO SOMOS. E podemos modificar-nos a todo tempo. Eles ainda não sabem disso. Ainda nao aprenderam a enxergar com o coração. De forma profunda.
hahahahaha, tenho certeza que antes de tudo será muito divertido. O novo sempre é uma boa experiência. Estou feliz! Aprender com um olhar de uma pessoa que pode falar tantas coisas é maravilhoso.Aprender com nossas próprias reações, melhor ainda. Não vejo a hora. Torça para que eu consiga resolver tudo aqui o quanto antes. Não quero pular degraus, mas cheguei a pensar em voltar pra ai no carnaval e não vir mais. Simplesmente deixar tudo como está. Mas acho que essa seria uma atitude covarde demais.
Lembra de Alice no país das maravilhas?
" Se eu não disser nada como é que vou saber
Onde fica a entrada do castelo do querer?
Qual é a resposta? Me diga então: - Qual é a pergunta?
Se eu nao disser nada, como é que vou saber
Onde fica a chave do mistério de viver?"
Determinantemente eu nao quero mais essa vida pra mim. Tá certo: Uma coisa de cada vez. Voltar pra SP, me estabelecer, deixar o cigarro que está me incomodando demais. Rever minha vida e por ai vai...
Quero cheiro de mato, casa no campo, paz para viver e um amor saudável.
Sem comentários. Voce disse de uma maneira linda e perfeita o resumo da vida de um ser humano comum. Não sejamos comuns. Renato...que bom poder ter te conhecido...desculpe, sei que não é o momento para dizer isso, mas não tenho como não falar isso agora mais uma vez.
enviada por Marcela
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