.." Residem juntamente no meu peito um le�o que ruge e um deus que chora"
Olavo Bilac
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[Marcela Melo
28 anos, jornalista, aquariana, amante das coisas boas da vida...mas quando d�! :)
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It�s Me

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10/05/2004 00:56
Não sei se um dia realmente conseguirei morrer para o velho e nascer de novo. Não é tão fácil quanto pensei que fosse desde quando comecei a pensar sobre isso...há 9 anos atras.
Algo dentro de mim, pede alguma coisa que não sei o que é....a sensação é a mesma sempre . Sempre que ouço, vejo, sonho alguma coisa ou algumas coisas.
Existe O caminho. Eu sei. Não sei se conseguirei chegar a Ele. Isso me entristece. Tenho sentido algumas tristezas mto diferentes das tristezas por coisas e pessoas que sentia antes. Algo dentro de mim grita, chora, sofre, como se pedisse por libertação. Algo dentro de mim chora, berra, fica aos prantos, quando vejo algo que não aceito e não concordo, ou quando vejo o mundo do jeito que está, as pessoas agindo das formas que agem, as coisas do jeito que são. Hoje, parece bobagem, mas senti uma enorme tristeza por pensar que jamais serei mãe. Não posso colocar um ser neste mundo vil que vivemos...nesta ilusão, neste sofrimento. Aliás, meu coração chora quando penso que as chances de eu ter uma família do jeito que gostaria não existem. O conjunto de todas essas coisas é que me faz sofrer demais, o conjunto de tudo isso é que me tras a sensação de uma estranha solidão que estou tentando aprender a conviver com ela. Todos, parecem mto distantes de mim. O mundo parece estar distante, mas me dói ainda quando lembro que estou nele. Tenho certeza que minha morada é mais do que eu possa pensar. Mesmo que toda a Terra tente me encantar, tenho certeza que maior é o meu Lar. Mesmo que os anjos se revelassem a mim, ou que o sol descesse para me servir, ainda assim, tudo isso não se compararia ao meu verdadeiro Lar. Preciso voltar para o lugar onde a dor não mais existirá. Essa parte de mim que fala agora precisa retornar, clama por uma volta, mas não sabe se esvaziar, não sabe deixar fluir totalmente o que está dentro. Metade arrancada de mim...sim, é isso que sinto mtas vezes...falta algo. sempre faltou. sempre faltou...sempre...Preciso dos meus iguais, preciso mto saber que não estou sozinha. Ouço coisas o tempo todo....sinto náuseas....mesmo as que se referem a mim como elogios , coisas que poderiam inflar meu ego, fazer minha auto estima subir alucinadamente...só sinto pavor, uma certa dor, como se tivessem me ferindo...como se tais comentários não viessem da pessoa certa, porque existe uma pessoa e somente uma aqui na terra que poderia dizer e enfim....
acho que já viajei demais...
Continuarei lendo.
Beijos
Obrigada por vc existir!
Ma
O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade, E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono.
(Jadir Lessa)
Não te falei, mas comecei a ler os dois livros e desisti antes e bem antes
da metade deles. Por falar nisso, aliás, já que vc tocou nesse assunto, eu
vou dizer...É por isso grande parte do meu bloqueio em transcrever aquela
entrevista com a lulu. Não consigo fazer nada mais que eu não concorde, que
eu ache errado e que não condiz com a minha visão das coisas. Sendo mto
mesquinha, se assim vc quiser definir, consigo menos ainda fazer tais coisas
sem ganhar nada.
A dança do ventre pra mim hoje é algo completamente fora do que realmente
foi um dia. Vendo as pessoas agirem e outras reagirem com uma coisa que era
tão bela, me faz sentir mal. Usá-la para propósitos que não são os
originais, mais ainda. É também o que penso sobre a festa rave.
Estou tentando fugir disso tudo, mas nao está dando. Cada vez que faço algo
que não condiz com tudo que te falei, é uma dor imensa que sinto. Uma dor de
vazio, de perda, de distância, de solidão enorme...tão grande que as vezes
penso que não suportarei. Por isso decidi totalmente não tentar mais me
sentir normal para me satisfazer ou me sentir parte dessa merda de mundo.
Estava lembrando que quando eu tinha 16 anos eu era exatamente como sou
hoje, mas com uma mentalidade de 16 anos. Eu sentia nojo de mim e resolvi
mudar...virei do avesso. Fiz, aconteci e deu no que deu. Quase virei um
monstro. Não quero definitivamente brincar com isso outra vez. Óbvio que é
terrível ouvir os comentários que ouço, ou me sentir como me sinto por
exemplo , como me senti hoje com o Fernandinho dando em cima de mim sem
parar e falando coisas que nao deveria. Com o carinha do Rio, com outros
episódios passados, com as conversas das meninas daqui e de minhas " amigas"
que nada mais tem a ver comigo. Mas ...decidi caminhar. Não quero correr o
risco de voltar sozinha e ferida. As vezes me passa pela cabeça em mudar
tudo....geralmente nessas horas caio em alguma coisa que só me leva a pensar
que não devo tentar a próxima.
Vc pode estar achando tudo isso um grande exagero, mas infelizmente é real.
Sinto as vezes medo de estar tendo algum tipo de surto ou algum novo
distúrbio mental, pois o que sinto agora nada tem a ver com os sintomas da
doença que diziam que eu tinha.
Ao mesmo tempo, acho que na verdade é só uma questão de adaptação. Não virei
puritana ou uma neurótica frustrada. Acho que é assim que as pessoas me
veem. Sinceramente isso hoje pouco me importa. Continuo amando sexo, mas
quero fazer amor. Continuo adorando sair, mas não acho que seja prazeroso o
clima que envolve um lugar lotado, com música alta, pessoas enchendo a cara,
fumando e caçando alguem para uma trepada sem sentido, sem valor. Usando
seus corpos como se fossem objetos. Continuo gostando da minha profissão,
mas dessa vez sem exageros, sem alucinações, sem busca de fama, poder,
dinheiro. Quero somente viver...em paz, com o que preciso. Não preciso de
mtas coisas. continuo sonhando ainda....acordada, com uma imagem que sempre
vejo....
Tá certo que o que gostaria mesmo era de ter meu tempo livre para aprender
bordado, pintura, música, costura, e aprender a cozinhar divinamente bem com
a D. Dinah para o propósito que lhe falei, mas...se não der tudo
bem...alguma coisa sei que poderei fazer.
Bem, hoje ouvi uma música linda, ouvi esta música diversas vezes. Lembrei de
vc..pensei em te mandar, mas não consegui transformar o arquivo em mp3. Se
formos mesmo para São Pedro eu lhe mostro.
Um beijo,
Marcela
enviada por Marcela
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